Celebrado neste 12 de março, o Dia do E-commerce no Brasil chama atenção para um dos setores mais dinâmicos da economia. O comércio eletrônico brasileiro ultrapassou R$ 235 bilhões em faturamento em 2025 e segue em trajetória de crescimento para este ano, consolidando o ambiente digital como um dos principais motores do varejo no país.
Nesse cenário de expansão, o Espírito Santo vem ganhando protagonismo. Dados do Mapa da Logística 2025, da Loggi, mostram que o volume de envios no Estado cresceu 45% apenas no segundo trimestre do ano passado. O levantamento analisou mais de 16 milhões de entregas realizadas por cerca de 21 mil empresas em 5 mil municípios brasileiros e colocou o Espírito Santo entre os cinco estados com maior crescimento logístico do país, ao lado de Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Da vocação portuária ao protagonismo digital
Tradicionalmente reconhecido por sua forte vocação portuária, o Espírito Santo agora amplia sua relevância também no universo digital. A localização estratégica, a infraestrutura logística e os corredores de transporte integrados têm favorecido o avanço das operações de e-commerce.
O crescimento das entregas acompanha o aumento das vendas on-line capixabas, que avançaram acima da média nacional no primeiro semestre do ano passado, especialmente nos segmentos de moda, beleza, eletrônicos e alimentação. O movimento tem impulsionado investimentos em armazenamento, transporte e tecnologia, fortalecendo o Estado como hub logístico para empresas que vendem para todo o Brasil.
Para o presidente da Associação de Venda Não Presencial Brasil (AvenpesBR), Alexandre Rodrigues Malta, os resultados são fruto de um ciclo consistente de investimentos em infraestrutura e eficiência logística.
“Só no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, tivemos um aumento de mais de 175% no volume de pacotes enviados aos grandes centros do país. Esse desempenho é resultado direto de investimentos contínuos em infraestrutura e logística. Uma cadeia logística confiável é essencial para garantir competitividade”, afirma.
O crescimento do e-commerce na prática
Os números ajudam a dimensionar a força do setor, mas são as histórias das empresas que revelam, na prática, como o comércio eletrônico transformou negócios e ampliou mercados.
Foi o que aconteceu com a Pacífico Ar Condicionado, empresa sediada em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo. A companhia iniciou suas vendas on-line em 2013, quando o comércio eletrônico ainda era uma aposta para muitas empresas.
Segundo o diretor comercial Cristiano Pacífico, entrar no ambiente digital foi um passo decisivo para expandir o alcance do negócio. “No começo tudo era muito novo: vender à distância, atender clientes de outras cidades e organizar a logística de entrega. Era um desafio grande, mas também uma oportunidade de crescer e alcançar mercados que antes eram inacessíveis”, lembra.
Mais de uma década depois, o cenário mudou completamente. A tecnologia avançou, a inteligência artificial passou a fazer parte das operações e a concorrência se tornou mais intensa. Ainda assim, para a empresa, adaptar-se às mudanças tem sido essencial para continuar crescendo.
Cristiano também recorda como a relação com o cliente evoluiu ao longo do tempo. “Antes, quando havia algum atraso ou problema com o produto, a gente ligava para o cliente para explicar e resolver a situação. Hoje, praticamente tudo acontece nas plataformas digitais. Aquela conversa direta por telefone era muito comum no início, mas aos poucos foi sendo substituída por soluções on-line”.
Nichos que ganharam o mundo
Outro exemplo que revela o potencial do e-commerce capixaba vem de um setor bastante específico: o mercado de artigos litúrgicos. Ligada à Diocese de Colatina, a empresa Cordis fabrica paramentos e objetos utilizados nas celebrações da Igreja Católica. Fundada em 1993, a empresa nasceu com uma pequena loja em Colatina, com o objetivo de fornecer materiais religiosos para igrejas da região.
Mas a própria natureza do mercado, com poucos clientes em cada cidade, fez com que a empresa apostasse cedo na venda não presencial. “O nosso mercado é muito pulverizado. Sempre houve a necessidade de atender igrejas espalhadas pelo Brasil inteiro”, explica o gerente administrativo Marcos Antonio Casotti.
Antes mesmo da internet se popularizar, a empresa já utilizava catálogos impressos enviados às paróquias e televendas por telefone. Com o avanço da tecnologia, o modelo evoluiu para plataformas digitais mais robustas. Hoje, cerca de dois terços das vendas da empresa ocorrem por canais digitais. Nos últimos anos, a empresa deu um passo ainda maior: passou a vender também para o exterior.
“Criamos lojas virtuais em inglês e espanhol e começamos a enviar nossos produtos para vários países. Hoje já atendemos clientes em cerca de 50 a 60 países”, conta Casotti.
Um momento marcante dessa trajetória aconteceu em 2013, quando a empresa foi convidada para produzir cerca de mil paramentos para a visita do Papa Francisco ao Santuário Nacional de Aparecida, durante a Jornada Mundial da Juventude. A repercussão nacional consolidou a marca e levou, dois anos depois, à abertura de uma loja em Aparecida (SP).
PMEs puxam crescimento do comércio digital
O crescimento do comércio eletrônico brasileiro também tem sido impulsionado pelas pequenas e médias empresas. O Mapa da Logística 2025 aponta que o tíquete-médio das PMEs chegou a R$ 217, valor 21% superior ao das grandes marcas e 51% maior do que o registrado em marketplaces.
Entre as categorias que mais cresceram no país estão: óticas (+302%), farmácias e saúde (+204%), artigos esportivos (+196%), joias e bijuterias (+144%), jogos e brinquedos (+126%) e eletrodomésticos (+103%).
As datas sazonais continuam sendo um dos principais motores de vendas. Apenas no segundo trimestre de 2025, o Dia das Mães movimentou mais de 2,7 milhões de pacotes, enquanto o Dia dos Namorados gerou cerca de 2,5 milhões de envios, com crescimento de 121% nas vendas das PMEs.
Uma nova fase para a economia digital
Assim, o Dia do E-commerce simboliza não o crescimento das vendas on-line e uma transformação estrutural da economia brasileira: cada vez mais digital, conectada e descentralizada.
No Espírito Santo, os números indicam que a vocação logística histórica do Estado está evoluindo para um novo patamar. Ao combinar infraestrutura, localização estratégica e um ecossistema cada vez mais preparado para o comércio eletrônico, o território capixaba se consolida como um dos pontos-chave da nova economia digital brasileira. E a AvenpesBR está acompanhando, desde 2012, tudo isso de perto, de forma atuante, representativa e sempre em prol do crescimento sustentável dos negócios.




