O presidente da Associação de Vendas Não Presenciais do Brasil (AvenpesBr), Alexandre Malta, participou de uma edição especial do podcast BoraVarejo durante o Fórum E-Commerce Brasil 2026, realizado em São Paulo. Convidado pela Globalsys, Malta integrou um bate-papo comandado por Thiago Jesus, CRO da empresa, que também contou com a participação de Thiago Molino, CEO da companhia de tecnologia.
Realizada entre os dias 28 e 30 de julho, no Distrito Anhembi, a 17ª edição do Fórum reuniu empresas, executivos, especialistas e profissionais do ecossistema digital. A programação contemplou trilhas dedicadas a Marketing & Vendas, Gestão & Operações, Tecnologia & Inovação, marketplaces e canais de venda, além de rodadas de negócios e estúdios para entrevistas e podcasts. A expectativa era receber mais de 40 mil participantes ao longo dos três dias.
Proximidade
Durante a conversa, Alexandre Malta destacou a importância de construir uma relação cada vez mais próxima entre empresas de tecnologia, entidades representativas e negócios que atuam no varejo físico e digital.
“Nosso objetivo é integrar parceiros estratégicos e relevantes, garantindo que o varejo e nossos associados tenham acesso a soluções completas e eficazes. O crescimento do setor no Brasil seria inviável sem o apoio das empresas que caminham conosco”, afirmou.
Segundo Malta, esse ecossistema deve reunir desde grandes companhias associadas até fornecedores especializados em tecnologia, gestão, logística e inteligência fiscal. A atuação conjunta permite que as empresas encontrem soluções para desafios que se tornaram mais complexos com a expansão dos canais digitais.
Reforma tributária exige integração entre as áreas
Um dos principais temas abordados no podcast foi a preparação das empresas para a reforma tributária. Malta alertou que adiar decisões pode comprometer o cumprimento das obrigações legais e ampliar o risco de autuações, mesmo diante de eventuais instabilidades nos sistemas de emissão de documentos fiscais.
Para o presidente da AvenpesBr, as mudanças não ficarão restritas aos departamentos fiscal e contábil. Tecnologia, finanças, marketing, suprimentos, logística e precificação precisarão trabalhar de maneira integrada.
“Com a reforma tributária, todas as áreas da organização precisarão estar alinhadas. Ao definir o preço de um produto, o marketing deverá considerar a nova carga tributária e o impacto do frete. Suprimentos, fiscal e tecnologia também precisarão compartilhar informações para que a empresa compreenda a composição dos custos e estabeleça o preço final com precisão”, explicou.
Malta ressaltou que o cenário exige uma visão sistêmica do negócio. Áreas que ainda funcionam de maneira isolada precisarão compartilhar dados, critérios e responsabilidades para construir uma estratégia coerente.
“O CFO terá um papel essencial nesse processo. Ele deverá atuar como um catalisador, preparando a empresa para os desafios da reforma, evitando a sobrecarga operacional e garantindo que tecnologia, estratégia financeira e conformidade tributária caminhem juntas”, disse.
Processos manuais ampliam riscos
A digitalização dos processos fiscais e contábeis também esteve entre os assuntos discutidos. Malta observou que muitas empresas e escritórios de contabilidade ainda dependem de atividades manuais, o que aumenta a possibilidade de erros, retrabalho e contingências fiscais.
A adoção de sistemas integrados permite substituir um modelo baseado na apuração posterior ao fechamento mensal por um acompanhamento contínuo das informações. Dessa forma, as empresas conseguem identificar inconsistências, conferir créditos tributários e corrigir falhas antes que elas provoquem prejuízos.
“A tecnologia permite sair de uma apuração tardia para uma gestão tributária contínua. Isso amplia a transparência, melhora a precisão das informações e oferece maior segurança jurídica e operacional”, ressaltou.
A antecipação, segundo Malta, deixa de ser apenas um diferencial e passa a ser uma necessidade estratégica diante das mudanças regulatórias. A empresa que acompanha seus dados de forma permanente fica mais preparada para atender às novas exigências e tomar decisões com menor exposição a riscos.
Dados confiáveis para decisões mais rápidas
Outro ponto destacado foi a necessidade de centralizar os dados gerados pelas diferentes áreas da empresa. Quando cada equipe trabalha com planilhas, projeções e indicadores isolados, a gestão perde a visão geral da operação e encontra dificuldades para identificar o que realmente gera valor.
“É essencial consolidar variáveis como alíquotas, custos de frete, margens, receitas e despesas em uma única fonte confiável. Quando essa informação está fragmentada, a tomada de decisão se torna lenta e insegura”, afirmou.
Malta defendeu que tecnologia e inteligência artificial sejam utilizadas não apenas para automatizar tarefas operacionais, mas também para apoiar decisões relacionadas à saúde financeira, à geração de caixa e ao desempenho dos canais de venda.
“Precisamos avançar de um modelo reativo para uma gestão estratégica. Os sistemas devem oferecer uma visão clara da operação, sem depender de conciliações manuais complexas. A tecnologia precisa funcionar como base para garantir eficiência e rentabilidade”, acrescentou.
Digitalização também transforma o trabalho das equipes
A modernização dos processos, segundo o presidente da AvenpesBr, também produz reflexos sobre a rotina dos profissionais. Ao retirar os colaboradores de tarefas repetitivas e manuais, as empresas abrem espaço para atividades analíticas e estratégicas.
“Quando oferecemos ferramentas que substituem tarefas repetitivas por análises de maior valor, aumentamos a produtividade e também o engajamento. O colaborador deixa de ficar preso a um ciclo operacional e passa a compreender melhor sua contribuição para os resultados da empresa”, avaliou.
Essa mudança exige investimento em tecnologia, mas também em capacitação e cultura organizacional. Para Malta, a ferramenta não deve ser encarada isoladamente: ela precisa estar vinculada a objetivos claros e acompanhada por equipes preparadas para interpretar os dados.
Espírito Santo como ambiente para novos negócios
Durante o podcast, Alexandre Malta também apresentou as oportunidades encontradas pelas empresas que operam ou pretendem investir no Espírito Santo. Ele citou a segurança institucional, os investimentos em desenvolvimento e a articulação entre entidades e parceiros como diferenciais do mercado capixaba.
“O Espírito Santo oferece segurança e tem investido significativamente em desenvolvimento. Estamos à disposição de quem deseja compreender o modelo de negócios e as particularidades do mercado capixaba”, declarou.
De acordo com Malta, a AvenpesBr atua com sua diretoria, empresas associadas e parceiros para criar um ambiente que favoreça o crescimento sustentável das operações de comércio eletrônico.
“Nosso propósito é contribuir para que a operação no Espírito Santo seja a mais rentável possível para cada negócio. Queremos gerar resultados sólidos, promover o reinvestimento e fortalecer continuamente o ambiente empresarial e a sociedade”, concluiu.




