Nova forma de comprar: 74% dos consumidores já usam IA para descobrir produtos

Estudo da NielsenIQ com a Kearney mostra que 74% dos consumidores já usam inteligência artificial em alguma etapa da descoberta de produtos.

A inteligência artificial está mudando a maneira como as pessoas pesquisam produtos na internet, como comparam preços, avaliam alternativas e decidem o que comprar. Um estudo da NielsenIQ (NIQ), em parceria com a consultoria Kearney, divulgado em março de 2026, revela que 74% dos consumidores já utilizam IA em alguma etapa da descoberta de produtos. Para o comércio eletrônico, a mudança abre novas oportunidades, mas também traz um alerta: empresas que não se adaptarem poderão perder espaço.

Outro levantamento de 2026, realizado pela NIQ em parceria com o Digital Shelf Institute, mostra que 68% dos consumidores utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa pelo menos uma vez por mês. Cerca de um terço ou mais recorre a essas soluções especificamente para pesquisar produtos ou resumir avaliações de outros compradores. Na prática, isso significa que a tradicional pesquisa em sites e mecanismos de busca começa a dividir espaço com conversas realizadas diretamente com assistentes virtuais.

Em vez de digitar apenas “melhor notebook” ou “tênis para corrida”, por exemplo, o consumidor pode perguntar à inteligência artificial qual equipamento atende melhor às suas necessidades, solicitar uma comparação entre marcas, definir uma faixa de preço e receber sugestões personalizadas.

O processo de pesquisa, comparação e escolha, que antes poderia envolver a visita a diversos sites, passa a acontecer, em alguns casos, numa única conversa.

Os três estágios da IA na jornada de compra

A NielsenIQ identifica três estágios dessa transformação no comércio eletrônico:

1. Comércio assistido por inteligência artificial

É quando a tecnologia ajuda o consumidor a pesquisar produtos, comparar características, analisar preços e resumir avaliações. A decisão final continua sendo tomada pelo comprador.

2. Comércio mediado por inteligência artificial

Nesse estágio, a IA passa a funcionar como intermediária entre o consumidor e as empresas. A ferramenta interpreta o que a pessoa procura, seleciona alternativas e apresenta recomendações antes mesmo que ela acesse uma loja virtual.

3. Comércio agêntico: a IA compra pelo consumidor

É a etapa mais avançada. Além de pesquisar e recomendar, sistemas de inteligência artificial podem executar tarefas, organizar pedidos e, em determinadas condições, realizar compras em nome do consumidor.

Embora as compras totalmente autônomas ainda estejam em fase inicial, a NielsenIQ destaca que o comportamento dos consumidores já caminha para uma maior delegação de decisões às ferramentas digitais.

O novo desafio: fazer o produto aparecer nas recomendações da IA

Para as empresas de e-commerce, uma das principais consequências dessa transformação está na maneira como os produtos são encontrados. Até pouco tempo, boa parte das estratégias digitais se concentrava em garantir que uma loja aparecesse bem posicionada nos mecanismos de busca e nos marketplaces. Agora, surge um novo desafio: fazer com que os produtos também sejam identificados, compreendidos e recomendados pelas ferramentas de inteligência artificial.

Segundo a NielsenIQ, uma marca pode perder oportunidades de venda caso seus produtos não sejam considerados nas respostas geradas por esses sistemas. Isso acontece porque a IA utiliza diferentes fontes de informação para elaborar recomendações, como descrições dos produtos, características técnicas, sites das marcas, avaliações de consumidores e conteúdos disponíveis na internet.

Informações incompletas, desatualizadas ou contraditórias podem comprometer a capacidade de uma ferramenta identificar determinado produto como uma boa opção para o consumidor. Por isso, a qualidade das informações disponíveis no ambiente digital passa a ter importância ainda maior para a competitividade das empresas.

O que as empresas de e-commerce precisam fazer?

A transformação não significa que os lojistas precisam investir imediatamente em sistemas complexos de inteligência artificial. Muitas das adaptações começam com medidas simples, relacionadas à organização das informações e à experiência oferecida ao consumidor.

Com base nas recomendações da NielsenIQ, algumas ações merecem atenção:

1. Melhorar as descrições dos produtos

Informações detalhadas sobre características, tamanhos, materiais, funcionalidades e diferenciais ajudam tanto o consumidor quanto os sistemas de IA a compreender o que está sendo vendido.

2. Manter preços e disponibilidade atualizados

Dados confiáveis sobre valores, estoque e condições de compra são importantes para evitar recomendações equivocadas e experiências negativas.

3. Padronizar as informações em diferentes canais

Um mesmo produto deve apresentar informações consistentes no site da empresa, nos marketplaces e nos demais canais digitais. Descrições contraditórias podem prejudicar a confiança nas informações.

4. Valorizar as avaliações dos consumidores

Comentários e experiências reais de compradores contribuem para a reputação dos produtos e podem ser considerados pelas ferramentas de inteligência artificial ao elaborar recomendações.

5. Organizar os dados da empresa

Informações sobre produtos, vendas, clientes e estoque precisam estar estruturadas e atualizadas. Essa organização também facilita o uso da inteligência artificial na gestão do negócio.

6. Acompanhar como a marca aparece nas ferramentas de IA

Além de monitorar o desempenho nos buscadores tradicionais, as empresas podem começar a observar se seus produtos aparecem em respostas e recomendações de assistentes virtuais, identificando oportunidades de melhorar sua presença digital.

Oportunidade também para pequenas e médias empresas

O estudo da NielsenIQ em parceria com a Kearney aponta que marcas menores e mais ágeis estão conquistando espaço em categorias como produtos para animais de estimação, cuidados pessoais, saúde e bem-estar, nas quais a descoberta orientada por inteligência artificial avança rapidamente.

O movimento indica que a transformação pode criar oportunidades para empresas de diferentes portes. A capacidade de oferecer informações relevantes, confiáveis e bem organizadas tende a ganhar importância na disputa pela atenção do consumidor.

Ao mesmo tempo, a tecnologia não elimina a necessidade de estratégias tradicionais de relacionamento, atendimento, logística eficiente e construção de confiança. Pelo contrário: esses fatores continuam fundamentais para transformar uma recomendação em uma venda e conquistar a fidelidade do cliente.

Como a AvenpesBR apoia os lojistas nessa mudança

Para a AvenpesBR, acompanhar as mudanças tecnológicas e os novos hábitos de consumo faz parte dos desafios de um setor em constante evolução. A expansão do uso da inteligência artificial reforça a importância da atualização dos empreendedores, da profissionalização da gestão e do investimento em inovação para garantir competitividade em um mercado cada vez mais digital.

Nesse cenário, o papel da AvenpesBR é contribuir para que as empresas tenham acesso à informação, conhecimento e conexões que favoreçam o desenvolvimento sustentável dos negócios.

O desafio do e-commerce será compreender como a inteligência artificial está influenciando as decisões de compra e preparar as operações para atender a esse novo consumidor. Afinal, no comércio eletrônico, não bastará apenas estar presente na internet. Será cada vez mais importante garantir que os produtos sejam encontrados, compreendidos e considerados pelas tecnologias que ajudam os consumidores a decidir o que comprar.

Compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *